sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Gênero textual: Relato – histórico ou pessoal

Ao narrar um acontecimento, produz-se inevitavelmente um relato, seja escrito ou oral. Sua principal função é tornar conhecida uma ação ou sequência de ações já ocorridas, sendo, portanto, no campo da escrita, um texto primordialmente narrativo. Quando se conta como foi um acidente, de que forma um jogador fez um gol ou como um crime ocorreu, por exemplo, estão sendo produzidos relatos.
Esse tipo de texto costumeiramente insere-se em outros. Notícias, notas informativas, biografias, diários, blogues, relatórios e textos que tratam sobre a História são essencialmente constituídos de relatos. Até os Boletins de Ocorrência o são. Sem eles, as reportagens não poderiam ser escritas, e muitas entrevistas não teriam um bom motivo para ser realizadas. A maior parte das cartas pessoais praticamente não existiriam. Logo, conclui-se que, embora sejam de simples estrutura, os relatos são talvez o tipo de texto mais comum no cotidiano. Eles não pressupõem histórias com conflito, tampouco com contextualizações e descrições muito elaboradas, basta que sejam narradas as ações de uma ou mais personagens, reais ou não.  Algumas vezes a Narração é confundida com Relato, pois em grande parte ela é formada por relatos, contudo na Narração espera-se algo mais: desenvolvimento de um conflito, clímax e desfecho.
O Relato possui um título simples, cujo objetivo é a mera identificação sobre o que ele trata, por exemplo: Relato de um carteiro; Relato sobre um roubo. Quanto às demais partes da estrutura, não há segredos, o Relato pode ter um ou mais parágrafos, dependendo de sua função. No caso de um exame vestibular, sua extensão dependerá exclusivamente do espaço fornecido pela prova.
  Leia os relatos a seguir e observe a diferença entre os temas:

  RELATO I

John Napier

John Napier era um proprietário escocês, Barão de Murchiston, que administrava suas grandes propriedades e escrevia sobre vários assuntos. Ele só se interessava por alguns aspectos da matemática, particularmente os que se referiam à computação e à trigonometria. Napier conta que trabalhou em sua invenção dos logaritmos durante vinte anos antes de publicar seus resultados em 1614. Napier começou a reduzir operações tediosas de multiplicação a operações mais simples de adição através da correspondência entre progressões aritméticas e geométricas.
A publicação, em 1614, do sistema de logaritmos de Napier teve sucesso imediato. Entre seus admiradores mais entusiásticos estava o inglês Henry Briggs, grande professor de geometria em Oxford. Em 1615, ele visitou Napier em sua casa, na Escócia, e lá eles discutiram possíveis modificações nos métodos dos logaritmos. Briggs propôs o uso de potências de 10. Napier concordou. Morreu em 1617 e, em 1624, Briggs publicou a "Arithmetica Logarithimica", uma tabela com os logaritmos comuns.
http://www.grupoescolar.com/materia/john_napier_(1550_-_1617).html

 

RELATO II

  (POST DE UMA PÁGINA DE INTERNET)

No dia do terremoto, os funcionários do hotel onde eu me refugiava colocaram uma TV no saguão para a gente assistir. Pessoas que estavam dormindo no chão reuniram-se em torno do aparelho e eu também fui atrás, rastejando para fora do cobertor embaixo do qual estava bem agasalhada. Sete horas após o abalo às 14h46 - esta era a primeira vez que entrava em contato com notícias reais sobre o terremoto.
Imagens inacreditáveis apareciam na tela. Cidades foram arrastadas pelo tsunami, literalmente, dentro de um instante. As pessoas assistiam à televisão sem dizer uma palavra sequer. Todas permaneciam em silêncio enquanto olhavam para a tela. Alguns que não puderam aguentar mais começaram a desviar o olhar.
Enquanto eu via cidades inteiras sendo engolidas pelo tsunami na televisão, lembrei-me do terremoto de Kobe, em 1995. Eu também estava assistindo à televisão na época. Quando o terremoto atingiu Kobe, pela manhã, eu estava em Tóquio. Durante todo o dia, enquanto estava no trabalho, tentei contato com minha família na região de Kansai, onde o terremoto aconteceu, mas não consegui falar com ninguém.
Temendo que tivesse ficado sozinha no mundo, fiquei olhando as imagens dos incêndios na televisão à noite toda. “Por que os caminhões dos bombeiros não estão aqui quando os carros da televisão estão?”, indagou uma senhora que só podia ver a cidade se transformar em cinzas, sem poder fazer nada para parar os incêndios. Foi doloroso de assistir.
Foi o mesmo com o tsunami desta vez: não foi o terremoto, mas os incêndios e o tsunami, tudo o que vem depois que o terremoto destrói de fato as cidades. As câmeras capturam imagens quando aconteceram, mas ninguém pode fazer nada sobre isso. Em questão de momentos, inúmeras pessoas perderam a vida enquanto tudo era documentado em vídeos.

http://pt.globalvoicesonline.org/2011/03/15/japao-terremoto-testemunho/

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