sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O HIPERTEXTO NA SALA DE AULA

Criando hipertextos


“ Todo texto impresso pode ser um hipertexto, mas nem todo hipertexto pode ser um texto impresso”.

Antonio Carlos Xavier
A conceituação de texto pode variar dependendo da perspectiva teórica que se adotar. Bentes afirma que,

Um entendimento satisfatório do fenômeno textual, em qualquer arcabouço teórico, requer que a relação entre teoria e objeto se faça a mais clara possível. A imprescindibilidade dessa relação reside no fato de que o entendimento das diferentes concepções de texto se dá em função de que a postulação e o reconhecimento dos elementos constitutivos do fenômeno textual estão previstos nessa relação; é ainda em função dela que a possibilidade de ampliação, ou mesmo de deslocamento, do conceito se faz plausível. No entanto, torna-se imperativo frisar que a referida relação se sustenta em função do conceito de língua que subjaz à plataforma teórica mobilizada para o trabalho de investigação. (BENTES, Anna Christina & REZENDE, Renato Cabral. 2008:22)

Adoto a concepção de texto como resultante da interação das atividades humanas por intermédio da linguagem verbal (oral ou escrita), não sendo um amontoado de palavras desconexas, mas constituindo-se pela relação de sentido entre essas palavras, podendo ser pretexto para a produção de outros textos.
Os textos geralmente são escritos linearmente e os recursos de citação ocorrem com a inserção de trechos de outros textos, por intermédio da paráfrase ou notas de pé da página e referências bibliográficas. Mas, um texto acadêmico pode funcionar como hipertexto, uma vez que contém notas de rodapé ou referências no desenvolvimento do texto que funcionam como links para a consulta em outras obras. O leitor pode optar em ler o texto de forma contínua, consultando as notas após a leitura ou interromper a leitura a cada localização e buscar a obra referenciada.
O hipertexto (eletrônico) refere-se a uma forma de escrever não-linear de informações em formato digital dividido em módulos de informações interligadas através de links oferecendo ao leitor diferentes trajetos para a leitura e interatividade. A leitura pode ser direcionada para outro ponto do mesmo texto, para outros textos e também para arquivos de imagens e sons. Para Lúcia Santaella,

(…) o texto passou por transformações, por uma verdadeira mudança de natureza na forma do hipertexto, isto é, de vínculos não-lineares entre fragmentos textuais associativos, interligados por conexões conceituais (campos), indicativas (chaves) ou por metáforas visuais (ícones) que remetem, ao clicar de um botão, de um percurso de leitura a outro, em qualquer ponto da informação ou para diversas mensagens, em cascatas simultâneas de interconectadas. (SANTAELLA, 2008, p. 47)

O hipertexto agrega não somente o texto escrito, mas também imagens, sons e animações variadas alterando, desse modo, a noção de textualidade. Santaella (2008) diz que o “hipertexto não é feito para ser lido do começo ao fim, mas sim através de buscas, descobertas e escolhas”. O leitor pode definir seu percurso de leitura, estabelecendo por suas escolhas uma nova sequência narrativa. A diferença do texto tradicional para o hipertexto está no suporte e na velocidade de acesso.

RESUMINDO:

TEXTO versus HIPERTEXTO

·         Texto  geralmente é escrito linearmente e os recursos de citação ocorrem com a inserção de trechos de outros textos, paráfrase,  notas de rodapé e referências bibliográficas.


·         Hipertexto (eletrônico) é uma forma de escrever não-linear de informações em formato digital, interligadas por meio de links oferecendo diferentes trajetos para leitura e interatividade.

HIPERTEXTOS

•O hipertexto agrega não somente o texto escrito, mas também imagens, sons e animações variadas alterando, desse modo, a noção de textualidade.


“ Por hipertexto entendo ser uma forma híbrida, dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras interfaces semióticas, adiciona à sua superfície formas outras de textualidade”.

Antonio Carlos Xavier

O leitor de hipertextos não faz somente a decodificação das palavras ao contrário,  seus horizontes são estendidos, tem ampliadas de maneira ilimitadas suas relações de referências de mundo. Dessa forma, a leitura de mundo e da realidade  passa a ser ampliada pelo hipertexto. Como afirmava Paulo Freire ” a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”. Se para ser um bom leitor da palavra é preciso antes ser um bom leitor do mundo, “o hipertexto vem consolidar esse processo, uma vez que viabiliza multidimensionalmente a compreensão  do leitor pela exploração superlativa de informações, muitas delas inacessíveis sem os recursos da hipermídia”. (Xavier, Antonio Carlos, 2005. p.172)

“Tecnicamente, um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles , ou a maioria, se estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertexto significa portanto desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira”.

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Lévy, 1993, p.33

Exemplos:
Hipertexto e Criação Literária: uma leitura de"afternoon, a story", de Michael Joyce
                                          (Ilustração da página inicial da hiperficção "Tristessa")


Implicante e seus remendos multimidiáticos

Com aparência arrojada e diversificada o portal Implicante.org prometia ser uma potente fonte de informação para o público leitor juvenil.  Autodenominado como um “portal de oposição, um espaço para fiscalizar, criticar e até tirar sarro do governo federal”, os autores do que mais parece um blog, pareciam querer seguir o modelo jornalístico de programas televisivos como o CQC, priorizando a ironia e deixando o jeito “chato” e “antiquado” de informar para trás.
Mas a produção do portal caiu na rotina dos grandes veículos de comunicação e hoje se limita a atualizar notícias apenas com textos corridos. O Implicante perdeu seu propósito e essência. Uma vez ou outra publica artigos, mas trata-se de um material que poderia ser lido em qualquer outra plataforma de comunicação, seja jornal impresso, revista ou em coluna de opinião da TV. A hipertextualidade se limita a direcionar os links para outros sites de notícias.
O site entrou no ar neste ano de 2012 e ganhou notoriedade com a produção do vídeo “O Crime do Mensalão”, um resumo completo e intrigante do atual cenário político nacional. O trabalho parecia enveredar para uma grande reportagem na web, mas o investimento no assunto parou num hotsite, que não traz nenhuma informação a mais há não ser o próprio vídeo citado.
Desde então, eles não exploram as possibilidades da narrativa multimídia e a produção de vídeos caiu bastante – chegando a 1 publicação por mês- , bem como a produção de imagens próprias e até mesmo de textos, que atualmente se reduz a repostar notícias já veiculadas em grandes sites de informação (o que talvez seja justificado pelo fato de ser um portal).
Ainda assim, vale ressaltar a tentativa de narrativa multimídia introduzida na disponibilização de um jogo chamado PTrunfo. Seria uma espécie de supertrunfo com personalidades indicadas pelo ex-presidente Lula durante seu mandato. Uma ideia criativa, não fosse o fato do jogador ter que imprimir as cartas, pois um jogo online seria muito melhor aproveitado. No dia 4 de dezembro o portal lançou seu primeiro podcast para debater política com convidados especiais. Embora pareçam ter perdido a mão, O Implicante tenta se reerguer entre remendos de uma narrativa multimídia, nesse curto espaço do tempo de sua existência.

É de se espantar que um produto jornalístico do século XXI tenha dificuldades de se encontrar e de descobrir a que veio? Temos visto que não, pois a veiculação digital ainda é recente. Contudo, quando um produto se dispõe a aventurar-se nessa “nova” arena de noticiabilidade que é a web, ele deveria ter impregnado em seu desenvolvimento um diferencial. Pois não se trata de um meio já conhecido, e portanto, não deve se tratar de mera reprodução do que já existe. A multimidialidade ainda é esporádica no portal O Implicante e ele parece tatear para descobrir os caminhos da narrativa na web.

DESCRIÇÃO OBJETIVA E SUBJETIVA

A)Objetiva ? O texto objetivo é aquele que enfoca o objeto real, sem as impressões do observador, tantando a maior proximidade com o real. Alguns floreados típicos de escritor não têm campo aqui.
B)Subjetivo ? tem uma visão do autor através de juízes de valor.
Ex: Livro comprado em Lisboa à Objetivo
Livro interessante à Subjetivo
Mulher esbelta à Objetivo
Mulher belíssima à Subjetivo
Havia uma casa velha na encosta do morro. Era de pau a pique, quase caindo, abandonada. Uma árvore cobria-a com sua sombra. à Objetiva
Havia uma velha casa assustadora na encosta íngreme do morro. Era de pau a pique quase caindo de tão podre, sozinha abandonada. Uma árvore frondosa cobria-a com sua negra sombra à Subjetiva.

O TEMPORAL
Alfredo Desgragnolle Taunay
As quatro horas, tudo escureceu de momento, como por imposição. 
Entretanto não arrebentou logo o ciclone e, numa espera que durou horas inteiras, sentia-se a natureza tomada de ansiedade inquieta, ofegante, ante aquela ameaça, avassadora pelo perigo que aí vinha. Intervaladas baforadas sopravam com o ruge-ruge seco de folhas mortas que, em montões, são revolvivdas e arrebatadas num turbilhão. 
Foi-se tornando a escuridão intensa; o calor, atroz.
Os animais, cavalos e bestas, estavam parados, apáticos, chegados aos homens, à busca de proteção. Formavam os bois, círculos apertados com os chifres entrelaçados.
Afinal, uma risca de fogo correu de um extremo a outro do horizonte.
Foi o sinal.
Houve um clarão medonho, uns segundos de pasmo. Depois, a conflagração dos elementos.
Desencadeou-se furiosa ventania; abriram-se as cataratas do céu no meio de relãmpagos de cegar, com estampidos nunca ouvidos.
Pavoroso era o conjunto.
Bem no meio do nosso acampamento caíam os raios, atraídos pelas peças de artilharia; fulminavam soldados e, com os contrachoques, derrubavam-se por terra, embora sentados e encolhidos debaixo do capote varado pela chuva. Não houve toldo, abrigo, que aguentasse, quando madeiros alentados eram torcidos pela mão possante do vendaval, sacudidos da terra, arrancados e atirados ao longe, como leves projéteis.
Tudo voou pelos ares.
Instantes após, aqueles córregos, que antes eram ressecados valos, intumesciam-se, rugiam furiosos e, não podendo dar vazão ás águas, transbordavam inundando os campos e levando em deseordenada carreira volumosas pedras e pujantes troncos.
Para aumentar o horror daquela noite interminável, as nossas guardas avançadas, vendo ou cuidando ver, à luz dos relãmpagos, que pareciam se despedaçavam uns de encontro aos outros, desfazendo-se em faíscas, vendo que a fuzilaria dos homens preenchia os raros intervalos em que se não ouvia o estrondear ensurdecedor dos céus.
Debaixo daquela descomunal tormenta, entravam em forma os batalhões, ficando os soldados com água pela cintura.
E assim se esperou a madrugada.
E quando luzia o dia, toda aquela natureza malferida, revolta, esmagada, aniquilada, estava como que atônita de presenciar o final de semelhante convusão. Também daí a horas foram os empolados córregos a pouco e pouco diminuindo de volume e em borbotões cada vez mais fracos, depositavam, nas escarvadas margens, placas esbranquiçadas de densa espuma com o rugido surdo de grandes cóleras que a custo se acalma e se extingue.

LEIA A DESCRIÇÃO A SEGUIR E DIGA SE É OBJETIVA OU SUBJETIVA.

HABITAÇÃO
Graciliano Ramos
Aqui vai, com pormenores inúteis de realismo, a descrição duma casa sertaneja, vista há algum tempo nos cafundós de Pernambuco.
Baixa, de taipa, cheia de esconderijos, lúgubre. O teto, chato, acaçapado quase sem declive, é negro; é negro o chão sem ladrilho, de terra batida, escurraçado e sujo. Negras as paredes sem reboco, com o barro que se reveste a rachar-se deixando ver aqui e ali o frágil madeiramento que serve de carcassa.
Três portas de frente e duas janelas. As portas têm altura suficiente para que possa entrar uma pessoa de média estatura sem curvar-se. As janelas, aberturas pequenas, quase quadradas, estão situadas lá em cima, perto da telha. Para atingi-las, trepa-se a gente a um caixão. Têm dobradiças de couro e trançam-se com pedaços de pau roliços envernizados pelo uso, que se introduzem em buracos abertos nos batentes, presos a cordéis amarrados em pregos. As portas fecham-se interiormente com ferramentas.
Em frente há um alpendre, o copiar, sustentado por estojos baixos,
grossos, resistentes ao caruncho. Limita-o uma plataforma que se ergue meio metro acima do solo de terra solta e pedra. É ali que dormem hóspedes sem importância, na desagradável companhia dos bodes e das cabras que lá vão fazer idílios.
Na sala principal há três redes armadas em paus recursos que saem do esqueleto das paredes. A um canto, um enorme traste de pernas descomunais, que atravessam uma tábua de dez centímetros de espessura, magnífico para rasgar a roupa de quem nele se senta. Aqui e ali, em tornos de madeiras, penduram-se chapéus de couro, gibões, perneiras e peitorais. Alguns sacos e surrões de milho e feijão substituem as cadeiras. Enormes cordas de laço, com grossas esporas de rosetas incríveis, espalham-se desordenadamente.
Da sala principal segue para os fundos um corredor estreito e sombrio, preto de pucumã e teias de aranha. Dão para ele dois quartos fronteiros. Um, das meninas, nunca se abre. O outro, dos donos da casa, deixa ver através da porta meio aberta, algumas arcas, onde se aferrolha o teouro da família e uma cama baixa, sem colchão com o latro de couro de boi em cabelo, gasto pelo atrito de algumas gerações que ali se fizeram, viveram e morreram.
O corredor desemboca na sala de jantar. Há ali uma pequena mesa, que raramente se forra, toda escalavrada, cheia de altos e baixos, pelo hábito de picar-se fumo em cima dela, à faca de ponta. Ladeiam-na dois bancos. Perto, uma velha máquina de costuma em cima dum caixão vazio. Uma ponte sobre uma forquilha plantada no chão.
A cozinha é pequena. Uma grossa camada de fuligem dá-la um novo teto. Um jirau substitui a despensa. Amontoam-se nela mochilas de sal, réstias de cebola, espigas de milho, botijões de manteiga. Mantas de carne, linguiças, panos de toucinho penduram-se a uma corda que vai duma parede a outra. O fogo é feito no chão, entre pedras dispostas em trempe. A um canto, um monte de cinza e carvões apagados. Todos os dias uma preta de cócoras, varre aquilo, a vassorinha. Figrideiras, caldeirões, panelas, marmitas de folha, ralos, canecos, abanos, formam o sistema planetário dum tacho velho, rachado, coberto de nódoas verdes. Em cima dum pilão deitado um gato ronca. Junto ao lume há quase semre uma velhota acendendo o cachimbo de canudo de taquari com uma braça espetada a um garfo. Encosta à trempe, uma banda de casca de coco, presa num pau a quenga. Na parede o caritó pequena cava em forma de concha, onde se guardam objetos miúdos ? pedras de sal, pontas de cigarros de palha, dentes de alho, cordõe, retalhos de pano, agulhas, peles de fumo que se ofercem a santa Clara, a troco de pequeninos milagres caseiros.
Junto ao quintal, o jardim, povoado de algodoeiros, verduras, vasos de alecriam e losna, urtigas e flores, tudo protegido pela ramagem duma baraúna velha.
Do lado oposto, três currais de certas eternas, mourões gigantescos.
Um pouco afastado, o chiqueiro das cabras.
Em frente, um grande pátio branco, limitado por árvores sempre verdes que escondem montes distantes.
No terreiro, no pátio, na calçada, confraternizam galinhas, bacorinhos, carneiros, cabritos, alguns cachorros com extravagantes coleriras feitas de rodelas de sabugo queimado, enfiados em padaços de embira.
Uma habitação horrível, como veem. Contudo viveu ali, sem se queixar uma família decente, religiosa e pastoril, domesticada no reimge patricarcal. Desapareceu tudo. Provavelmente aquilo está hoje reduzido a tapera.

2. Leia as duas narrações a seguir e destaque as diversas partes delas que você encontrar: Tempo, Personagens, lugar, ápice, conflito, Enredo, (ação)

DEVAGAR PARA NÃO MATAR
Gervásio Lobato
Os interlocutores são o filho de um fazendeiro que estava a gozar férias no Rio de Janeiro e um colono de sua fazenda.
O moço, que já há muito tempo não recebia carta de casa nem notícia de seus pais, encontrou, uma manhã, numa praça da cidade, o colono, embastacado a olhar um arranha-céu.
- Olá! Você por aqui, Tibúrcio!
- Ah! O meu patrão!
- Então, você vem ao Rio e não me procura, não vem logo à minha casa?
- Ora essa! Então não havia de ir!
- Pois é, mas você ainda não foi...
- Ia lá agora mesmo...
- Você acaba de chegar?
- Não, senhor. Cheguei anteontem e, desde que cheguei, estou para ir lá agora mesmo...
- Então. Como está tudo por lá?
- Tudo bem, sem novidade.
- E o meu cavalo predileto, o Janota?
- Ah! É verdade, esquecia-me de dizer-lhe... Esse é que não tem lá passado muito bem.
- Sim? E o que tem ele? Está doente?
- Não, senhor.
- Ah!... Você me deu um susto! Cavalo que me custou cinqüenta mil cruzeiros!...
- Não, senhor, não está doente! Morreu!
- Morreu?...
- Sim, senhor. Mas o mais vai sem novidade.
- Morreu? Mas se ele não estava doente... Morreu de algum desastre?
- Não, senhor. Qual desastre?
- Então?...
- Morreu do fogo que houve lá na cocheira.
- O quê? Houve fogo na cocheira?
- Sim, senhor. Queimou-se toda e o pobre Janota que estava dentro, foi-se também, coitado!
- Mas, como pegou fogo na cocheira?
- Pegou da casa.
- Da casa?
- Sim, senhor. Por mais que fizéssemos, não foi possível impedir que o fogo passasse à cachoeira. Mas o mais vai sem novidade.
- Mas como foi que pegou fogo na casa?
- Foi uma vela que caiu do castiçal.
- Uma vela?
- Sim, senhor. Uma vela caiu em cima do pano do caixão e fui tudo pelos ares.
- Do caixão? Mas qual caixão?
- O caixão onde estava a defunta!...
- Que defunta?
- A senhora sua mãe.
- Minha mãe? Pois minha mãe morreu?!...
- Morreu sim. Mas o mais vai sem novidade.
- Mas do que morreu minha mãe?
- De desgosto, coitadinha?
- Desgosto de quê?
- Pela morte do seu pai.
- Mas vem cá. Então meu pai morreu também?
- Não, senhor. Não morreu... Matou-se.
- Matou-se?
- Sim, senhor. Enforcou-se. Mas o mais vai se novidade.
- Enforcou-se?!...
- Sim, senhor. Fizeram-lhe a penhora de todas as suas fazendas e ele viu que estava arruinado, que ia pedir esmola... foi a uma corda... e... zás. Mas o mais vai sem novidade, graças a Deus!
O PACTO COM A MORTE
João Ribeiro
Um sujeito medroso não queria morrer e custava-lhe conformar-se com a fatalidade terrível. Aconselharam-no a que fizesse compadre da Morte, pois a um compadre não se negam certos favores.
O sujeito assim fez: chamou a Morte para madrinha de um dos seus filhos. E logo pediu à comadre que lhe evitasse o doloroso tributo.
- Não posso poupá-lo a esse transe, compadre(disse ela). Eu venho a mandado de Deus e, quando chegar a sua hora, você não se poderá livrar. Faço-lhe porém, um concessão, que é o único favor que lhe posso prestar. Eu virei prevení-lo uma semana antes. Você tomará então as devidas providências. Mais não posso fazer.
E despediu-se.
O sujeito medroso resignou-se, mas levou a parafusear todos os alvitres possíveis, visando a burlar a Morte, naquela semana de dilação que lhe seria dada.
Passados alguns anos, apareceu um dia a Morte.
- Agora, compadre, virei buscá-lo na quarta-feira próxima. É fatal.
O compadre recebeu a notícia tranqüilamente, pois tinha-se já apercebido, arquitetado o seu estratagema.
No dia fatal, fez vestir com as suas roupas um preto que lhe servia de cozinheiro, pôs-lhe à cabeça o seu chapéu e mandou-o ficar à porta da casa. Evidentemente a Morte tomá-lo-ia pelo patrão.
Ao mesmo tempo, ele, pela sua parte, encarvoou-se todo o rosto, vestiu os farrapos do preto e foi-se colocar ao fogão.
Mas, ou fosse casual desencontro, ou fosse que o preto se esgueirasse para a venda da esquina, o certo é que a Morte entrou sem ser pressentida.
A dona da casa, aflita, murmurou apenas:
- O seu compadre deve estar aí perto, à porta da casa.
- Não e preciso incomodá-lo, disse a Morte. Farei favor mais completo. Desta vez eu levo apenas aquele preto velho, que ali está ao fogão.
E levou-o.


A TÉCNICA DA DESCRIÇÃO

A DESCRIÇÃO

A descrição se caracteriza por ser o “retrato verbal” de pessoas, objetos, cenas ou ambientes. Nela, são trabalhadas as imagens, o que permite uma visualização do que está sendo descrito.
Uma boa descrição não deve resumir-se a uma simples enumeração. É fundamental captar o traço distintivo que diferencia o ser descrito dos demais.
A descrição de pessoas  deve, além dos traços físicos, ressaltar os traços psicológicos para que se tenha um “retrato” mais completo da pessoa descrita.
Na prática, é difícil você encontrar um texto exclusivamente descrito. O que comumente ocorre são trechos descritivos, inseridos em um texto narrativo ou dissertativo. Por exemplo, em qualquer romance (que é um texto narrativo por excelência), você perceberá várias passagens  descritivas, seja de personagens, seja de ambientes.

“ Quando um homem morre, ele se reintegra em sua respeitabilidade mais autêntica, mesmo tendo cometido loucuras em sua vida. A morte apaga, com sua mão de ausência, as manchas do passado e a memória do morto fulge como diamante. Essa,a  tese da família, aplaudida por vizinhos e amigos. Segundo eles, Quincas Berro Dágua, ao morrer, voltara a ser aquele antigo e respeitável Joaquim Soares da Cunha, de boa família, exemplar funcionário da Mesa de Rendas Estadual, de passo medido, barba escanhoda, paletó negro de alpaca, pasta sob o braço, ouvido com respeito pelos vizinhos, opinando sobre o tempo e a política, jamais visto num botequim, de cachaça caseira e comedida.” (Amado, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua)


A DESCRIÇÃO SUBJETIVA

Muitas vezes, ao descrever um ser, não nos limitamos a fornecer ao leitor um retrato exato e fiel. Podemos passar-lhe um ponto de vista pessoal daquilo que descrevemos, produzindo, dessa forma, uma descrição subjetiva.
Essa visão pessoal do personagem, carregada de juízos  de valor, não deve ser considerada um defeito, pois, na descrição, não devemos nos limitar a fornecer ao leitor um retrato frio e sem vida daquilo que se descreve – se asism  fosse, a descrição seria uma simples fotografia. É necessário, portanto, ir além do simples retrato, isto é, transmitir ao leitor uma visão pessoal ou uma interpretação a respeito  do que descrevemos.
Ademais, salvo as descrições técnicas  ou científicas, toda descrição revela, em maior ou menor grau, a impressão que o autor tem daquilo que descreve.

“No fim da tarde, quando as luzes se na cidade e os homens abandonavam o trabalho, os quatro amigos mais íntimos  de Quincas Berro D’água – Curió, Negro Pastinha, Cabo Martins e Pé-de-Vento – descima a ladeira do Tabuão em caminho do quarto do morro. Deve-se dizer, a bem da verdade, que não estavam eles ainda bêbedos. Haviam tomados seus tragos, sem dúvida, na comoção da notícia, mas o vermelho dos olhos era devido às lágrimas derramadas, à dor sem medidas, e o mesmo pode-se afirmar da voz embargada e do passo vacilante. Como reservar-se completamente lúcido quando morre um amigo de tantos anos, o melhor dos companheiros, o mais completo vagabundo da Bahia?” (AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua)

A DESCRIÇÃO OBJETIVA

            Na descrição objetiva transmite-se uma imagem concreta e precisa do que se descreve, destacando nitidamente os detalhes característicos, para que a imagem seja o mais próximo possível  da realidade.
            Convém lembrar o que antes foi dito: executando as descrições técnicas ou científicas, é difícil encontrar uma descrição absolutamente objetiva, pois sempre haverá alguma interferência  do autor em relação àquilo que está sendo descrito. O que vai distinguir uma descrição objetiva de uma descrição subjetiva é o grau dessa interferência.
            Na descrição subjetiva, a interferência do autor é sempre maior e costuma ser caracterizada pela emissão de juízos de valor. Já na descrição objetiva, o autor interfere menos, tentando nos passar uma imagem mais próxima ao real, evitando os julgamentos pessoais.            

“ O santeiro, velho magro de carapinha branca, estendia-se em detalhes: uma negra, vendedora de mingau, acarajé, abará e outras comilanças, tinha um importante assunto a tratar  com Quincas Berro D´água.     



TANCREDO: O POLÍTICO DA ESPERANÇA

            Qualquer pessoa que o visse, quer pessoalmente ou através dos meios de comunicação, era logo levada  a sentir que dele emanava uma serenidade e autoconfiança próprias daqueles que vivem com sabedoria e dignidade.
            De baixa estatura, magro, calvo, tinha a idade de um pai que cada pessoa gostaria de ter e de quem a nação tanto precisava naquele momento de desamparo. Seus olhos oblíquos e castanhos  transmitiam confiança. O nariz levemente  arrebitado e os lábios finos, em meio ao rosto arredondado, traçavam o perfil de alguém que sentíamos ter conhecido durante a vida inteira. Sua voz era doce e ao mesmo tempo dura. Falava e vestia-se como um estadista. Era um estadista.
            Sua característica mais marcante foi, sem dúvida, a ponderação na análise  dos problemas políticos e socioeconômicos. Respeitado em todo o mundo pela condição de líder preocupado com o destino das futuras gerações, de conhecedor profundo das questões deste país, colocava sempre o espírito comunitário  acima dos interesses individuais. Seu grande sonho foi provavelmente o de pôr  toda a sua capacidade a serviço  da nação brasileira, tão ameaçada pelas adversidades econômicas e tão abandonada, como sempre fora, por aqueles  que se dizem seus representantes.
            Verdadeiro exemplo de homem público, ficará para sempre na memória  dos seus contemporâneos e no registro histórico dos grandes vultos nacionais.
 MARIA, MARIA            

            Quando a vi pela primeira vez praticamente nem a vi. As pessoas, em sua maioria, não costumam prestar muita atenção às varredoras de rua. Mas Maria  parece não se importar com isso, porque também não presta muita atenção às pessoas que passam por ela, uma vez que está sempre olhando para baixo, à procura do que varrer.
           É baixa e magra, como convém a alguém que sempre comeu muito pouco, e sua pele tem a  coloração típica  dos que tomam sol, chuva, mormaço, ou qualquer coisa que não se possa escolher ou evitar. Seus cabelos crespos e negros parece, encolher-se ainda mais, para não sofrerem a ação do vento impregnado de poeira e poluição. Olhos amendoados, também negros, sem brilho: inexpressivos. Com certeza refletem a sensação de que é inútil expressar-se, seja para reclamar de qualquer coisa.  Mas são olhos duros, de quem protesta, pelo silêncio, contra a dor ou simplesmente contra o peso da rotina fatigante, cumprida à risca, para ninguém achar defeito. O nariz levemente achatado e os lábios grossos são a confirmação dos traços da raça. Boca fechada, apesar do muito que teria a dizer. Fechada, como se recomenda aos que desejam manter o emprego, ainda que tão árduo.
            Maria tem habilidades manuais. Quando criança, queria ser costureira de lindos vestidos. Agora quer sobreviver de maneira honrada. Seu uniforme de funcionária da limpeza pública em nada se parece com os vestidos do seu sonho de menina. Ela deixa agora os sonhos para seus dois filhos, porque é a única coisa que pode deixar como herança. Isso é o exemplo da sua luta, da sua esperança que tira do nada.
            Exilada em sua própria cidade, pelo tempo que lhe toma o trabalho, quase não vê a família, mas persiste e, acima de tudo, acredita, pois “quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania de ter fé na vida”.*



Marcadores Temporais

Transcrição de Marcadores Temporais


O tempo na narrativa Tempo determinado Tempo indeterminado Tempo Linear (cronológico) Tempo Não Linear Marcadores temporais Palavras que demonstram:
* O momento em que os acontecimentos ocorrem
Ex: Era uma vez um moço pescador muito destimido e bom...
Numa noite de luar estava ele querendo pescar...
Na noite citada...
* O passar do tempo na narrativa
Ex:Muitos anos se passaram desde que haviam se encontrado...
Passou-se um ano, dois anos, três anos
Nele sabemos quando e quanto tempo e se passou na narrativa.
Ex: A volta ao mundo em 80 dias. Nele não podemos precisar quanto tempo durou a ação dos personagens, nem quando a história se passou.
Ex: Em certa vez, há muitos anos...
Não sabia ao certo por quanto tempo esteve desacordado Ex: A Odisseia
NARRAÇÃO
Narrar é contar uma história. Sendo assim, a narração tem como centro a ação, o fato. Um texto narrativo é uma seqüência de ações que se sucedem através do tempo e do espaço.

A narrativa pode ser ficcional ou não ficcional. A narrativa não ficcional (ou real), conta os fatos reais, sem recriá-los, limitando-se a mostrá-los como realmente aconteceram. A narrativa ficcional (ou fictícia)  cria ou recria fatos. Sobre um fato real, por exemplo, a história da Segunda Guerra Mundial, podem ser criados milhares de textos fictícios (basta lembrar de filmes como “Os doze condenados”, “Os canhões de Navarone”, “A lista de Schlinder”, “Uma luz na escuridão”, “Um canto de esperança”, entre outros.). Veja abaixo os tipos de narrativas não ficcionais e ficcionais:


Narrativa não ficcional

Biografia: É a narrativa da vida de alguém. Pode ser escrita pelo próprio autor (autobiografia) ou por outra pessoa.

Relato:
 Texto narrativo curto, essencialmente informativo como, por exemplo, o relatório, carta, e-mail, entre outros.

Resenha: Trata-se de um resumo crítico com juízo de valor, uma síntese de um texto que visa impressionar o leitor em relação às qualidades desse texto.

Artigo: Texto normalmente divulgado pela imprensa, elaborado com base em fatos atuais. Difere da reportagem pelo grau de isenção do autor, porque no artigo o autor tem liberdade de expor sua opinião.
 

Ensaio:
 Texto científico ou técnico que deixa clara a opinião do autor sobre determinado assunto, geralmente mostrando ao leitor o processo de reflexão pelo qual passou o autor até chegar à conclusão que é tema do texto.

Reportagem: Texto narrativo essencialmente informativo, sem limite de tamanho. Em princípio, deve limitar-se a narrar os acontecimentos, sem juízo de valor. Seu objetivo é retratar literalmente a realidade, com o objetivo único de informar os fatos.

História:
 É a narrativa da “vida” de um país ou de um povo.


Narrativa ficcional

Romance:
 em geral é um tipo de texto que possui um núcleo principal, mas não possui apenas um núcleo. Outras tramas vão se desenrolando ao longo do tempo em que a trama principal acontece. O Romance se subdivide em diversos outros tipos: Romance policial, Romance romântico, etc. É um texto longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no tempo em que se desenrola o enredo.

Novela: muitas vezes confundida em suas características com o Romance e com o Conto, é um tipo de narrativa menos longa que o Romance, possui apenas um núcleo, ou em outras palavras, a narrativa acompanha a trajetória de apenas uma personagem. Em comparação ao Romance, se utiliza de menos recursos narrativos e em comparação ao Conto tem maior extensão e uma quantidade maior de personagens.

OBS:
 A telenovela é um tipo diferente de narrativa. Ela advém dos folhetins, que em um passado não muito distante eram publicados em jornais. O Romance provém da história, das narrativas de viagem, é herdeiro da epopéia. A novela, por sua vez, provém de um conto, de uma anedota, e tudo nela se encaminha para a conclusão.

Conto:
 É uma narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucos personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico.

Crônica:
 por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolar dos fatos. A crônica também se utiliza da ironia e às vezes até do sarcasmo. Não necessariamente precisa se passar em um intervalo de tempo, quando o tempo é utilizado, é um tempo curto, de minutos ou horas normalmente.

Fábula: É semelhante a um conto em sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se dá, principalmente, no objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma moral. Outra diferença é que as personagens são animais, mas com características de comportamento e socialização semelhantes às dos seres humanos

Parábola: é a versão da fábula com personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. Para isso são utilizadas situações do dia a dia das pessoas.

Apólogo:
 é semelhante à fábula e à parábola, mas pode se utilizar das mais diversas e alegóricas personagens: animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da mesma forma que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.

Anedota:
 é um tipo de texto produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende de fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação. Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral, sendo que pode ocorrer também em linguagem escrita.

Lenda: é uma história fictícia a respeito de personagens ou lugares reais, sendo assim a realidade dos fatos e a fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade, torna-se conhecida e só depois é registrada através da escrita. O autor, portanto é o tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens conhecidas, santas ou revolucionárias.


Sabendo que os textos não ficcionais  são apenas o relato de fatos reais, trataremos apenas dos textos ficcionais, que criam ou recriam histórias e fatos do cotidiano.



Elementos da narrativa

    O texto narrativo é baseado na ação que envolve personagens, tempo, espaço e conflito. Seus  elementos são:


1. Foco narrativo
 

1.1
 Primeira pessoa: quando o  narrador conta a história utilizando a primeira pessoa do singular ou do plural.  Neste caso,  ele participa da história (narrador-personagem); 

1.2.
 Terceira pessoa: quando o narrador não faz parte da história e fala do personagem na terceira pessoa do singular ou do plural (narrador-observador). Obs.: Muitas vezes o autor fala de si mesmo na terceira pessoa. Como se um aluno contasse o seu dia na escola, referindo-se a si mesmo como ele, o aluno.


2. Personagens

2.1.
 Protagonista – É o personagem principal, o herói (heroína), aquele por quem todos torcem. 

2.2.Antagonista  - É o personagem que se coloca contra o protagonista,  geralmente, nas novelas, aquela pessoa que vive armando situações para prejudicar o personagem principal.

2.3.
 Coadjuvante – Personagem menos importante, secundário, que faz parte do cotidiano do protagonista ou do antagonista.

2.4.
 Figurante – Personagem terciário, que apenas aparece para compor a cena, não desempenhando nenhum papel significativo no enredo. Pode até nem ser percebido pelos personagens principais e secundários.


3. Narrador

3.1.
 Narrador-personagem – É aquele que faz parte da história e, por isso mesmo, relata os fatos em primeira pessoa.

3.2.
 Narrador-observador – É o narrador que, estando diante dos fatos, observa-os e relata  o que vê.

3.3.
 Narrador onisciente – É aquele que, além de observar e saber de tudo o que acontece, tem o poder de conhecer o pensamento, os sentimentos e emoções de cada personagem, como também tudo o que aconteceu e o que está por acontecer.


4. Tempo

4.1.
 Cronológico – O relato se desenvolve numa sequência progressiva e lógica de tempo.

4.2.
 Psicológico – O relógio e o calendário perdem seu sentido linear. No tempo psicológico o personagem ou o narrador vai à infância e avança à velhice em segundos. 

É o tempo da imaginação, do sonho, da lembrança, da saudade.  Geralmente, quando aparece o tempo psicológico  no texto narrativo,  ele marca a presença de um trecho descritivo.


5.
 Espaço. – O contexto, o lugar onde se desenvolve o fato ou a história. 


Estrutura do texto narrativo

 Apresentação  -  A parte que introduz, que dá os dados necessários para a compreensão da anedota,  conto, crônica ou qualquer que seja o tipo de texto narrativo.

Complicação ou desenvolvimento  -  Parte do texto que traz o conflito, problema ou situação que é o ponto central da narrativa.

Clímax  -  É o auge, o ponto culminante do conflito,  seja ele dramático ou cômico.
Desfecho    É a resolução ou a saída do conflito , ou ainda – no caso de uma anedota – o final que faz com que o leitor  perceba o sentido cômico da narrativa.

O discurso na narrativa


1. Discurso direto

O narrador apresenta a própria personagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o que acontece em lugar de simplesmente contar. Veja o exemplo a seguir:

“Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escorredor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu outro tênis.”                                                                                                     
( Jornal do Brasil, 29 de maio 1989)

Obs. Vale ressaltar que, embora, no exemplo acima, a fala do personagem esteja reproduzida dentro do texto, separada da fala do narrador por aspas, é mais comum o discurso direto aparecer com as falas introduzidas por um travessão e pelos verbos dicendi ( disse, respondeu, falou, afirmou etc.)


2. Discurso indireto

O narrador interfere na fala da personagem. Ele conta aos leitores o que o personagem disse, mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador.

“Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou no chão o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque”.

Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 1964.


3. Discurso indireto livre

É uma combinação dos dois anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâmica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.

“Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!... Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção grande, da pintada... Que raiva!... Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar atenção, escutando a conversa de boi Brilhante”.

Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro,
José Olympio, 1976.

Observe que o discurso indireto livre representa o “pensar alto”, a exposição do pensamento no meio da narrativa. No discurso direto, o personagem fala. No discurso indireto, a fala do personagem é reproduzida pelo narrador ou por outro personagem. E o discurso indireto livre mostra o pensamento do personagem.

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